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Sobre patos, fígados e sádicos.

May 10, 2017

 

Já fomos criticados por servir foie gras em eventos, o que me vez refletir e estudar um pouco mais sobre o polêmico tema, que de tempos em tempos volta a tona, causando até embates jurídico em São Paulo. A questão envolve tradições centenárias, ética com animais, vegetarianismo e muito sabor.


Existem vários ângulos para análise do tema. Um dos pontos é o sofrimento dos animais e o vegetarianismo. Sem entrar demais na polêmica: sinceramente não consigo imaginar o ser humano sem fontes animais de alimentação e acredito que o que precisamos é nunca perder o respeito pelos ingredientes, buscar o equilíbrio e ter uma visão holística, até porque de nada adianta abdicar de alimentos animais e comer tomates produzidos com agrotóxicos ou soja de área de desmatamento. O que quero dizer é que assim como existem maus criadores de patos, que colocam os animais em sofrimento (e que devem ser repudiados), existem os que tratam os animais com respeito, carinho e  até devoção, certos de que estão mantendo uma tradição que vem desde os egípcios, que aprenderam que as aves em período migratório entravam em um processo de engorda, armazenando gordura no fígado, para se prepararem para a jornada do inverno.


Inicialmente os egípcios caçavam os animais em busca da iguaria e num segundo momento desenvolveram um método de alimentação que induzia ao processo de engorda anual das aves. Desde então este processo, conhecido como "gavage", mudou muito pouco e consiste basicamente em super alimentar as aves por um período de 2 a 3 semanas antes do abate, através de um tubo forçado no esôfago, ou papo, dos animais. Na antiguidade o alimento utilizado era o figo, daí a expressão iecur ficatum, "fígado de figo, ou estufado de figo", que deu origem a palavra "fígado" em português. Atualmente o alimento utilizado é a base de milho. Primeiro os animais são criados soltos e se alimentam de grama, até para fortalecer o esôfago e só no final são confinados e alimentados forçadamente algumas vezes ao dia, por cerca de 15 segundos. Soa mal, mas este processo é bem mais tranquilo do que o de grandes granjas e fazendas de gado. O foie gras é uma iguaria com alto valor agregado e por isso os consumidores procuram alta qualidade e pureza no ingrediente, o que não permite animais estressados, maltratados, nem que ingerem antibióticos e anabolizantes; o que infelizmente acontece em outras indústrias menos exigentes com a qualidade final do produto.


A tradição do foie gras começou com os egípcios, passou para os gregos,  romanos e foi muito importante para os judeus devido a restrição de uso de gordura de porco e manteiga, e a escassez de óleo de oliva em regiões de sua migração. O uso do schmaltz de aves ajudou a manter viva a tradição do foie. A França se tornou o maior produtor, e consumidor, da iguaria e levou as técnicas de preparação ao auge. Hoje o foie gras é consumido no mundo todo e  se tornou um dos mais polêmicos alimentos consumidos pelo ser humano. Após inúmeros protestos e campanhas, a produção e consumo de foie gras foi proibida em diversos países, entre eles Israel, Áustria e o estado da Califórnia nos Estados Unidos.

 


Verdadeiras batalhas conceituais são travadas diariamente, protestos em frente a restaurantes e extremismos de ambos os lados. Acredito no respeito pelos ingredientes e no uso consciente. O gavage é um alvo fácil devido as imagens e noção de crueldade que nos passa, mas o fato é que o modo como estes animais são criados é muito menos agressivo do a maioria da carne, e até vegetais (se pensarmos em poluição, agrotóxicos e desmatamento) que consumimos. Além disso o pato, ou ganso, é um daqueles casos em que 100% do animal é aproveitado: desde a carne, até a gordura e as penas. Na minha opinião é muito fácil apontar o dedo para os "sádico comedores de fígados inchados" que se deliciam do sofrimento alheio. Difícil é não perder a esperança num mundo mais justo, menos violento, no respeito e cordialidade. Buscar um estilo de vida consciente e harmônico. Espero que um dia todos possamos viver e trabalhar com prazer, num mundo de paz e justiça entre homens, animais e natureza.

Pedro Roxo 

 

PS: Respeito muito a filosofia do vegetarianismo e acredito que devemos sim reduzir o consumo de carnes e produtos de origem animal, para o bem do planeta.

 

Ps2: Recomendo muito o TED com o Dan Barber, no Taste3, "a surpreendente parábola do foie gras". Ele conta a hsitória de uma propriedade na espanha onde o Foie é produzido de forma natural e totalmente harmoniosa com a natureza.

 

 

 

 

 

 

 

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