© 2017 by Manja Gastronomia.

#manjagastronomia 

Rua Artur de Azevedo, 772 - São Paulo - SP

Tel: (11) 942 771 707  |  Email: atendimento@manjagastronomia.com

 

  • Black Instagram Icon
  • Black Facebook Icon
  • Black Twitter Icon

April 12, 2017

February 21, 2017

Please reload

Posts Recentes

Chef ou cozinheiro?

February 21, 2017

1/1
Please reload

Posts Em Destaque

Pamonha: uma tradição gastronômica esquecida

April 26, 2017

 

 

Qualquer um pode achar engraçado um post sobre pamonha. É só lembrar da Brasília com o porta-malas abertos com um auto-falante grudado na lataria repetindo “Pamonha, pamonha de Piracicaba, o puro creme do milho verde”, que rodava a cidade de São Paulo. Mas o que tem uma panhonha para alguém perder algum tempo nessa discussão? Uma experiência com minha filha de 5 anos.

 

Na ação da Casa Balagan, uma trupe de teatro,  chamada Comida d’Ameríndios - o cru e o cozido, fez uma oficina para crianças inspirada no livro A Saga da Comida - Receitas e História, de Gabriel Bolaffi (são quatro durante o ano de 2017:Comida d’Africanos, Comida d’Portugueses e Entre – judeus/árabes/italianos), na qual tivemos a oportunidade de fazer alguns pratos  típicos, mas também tão esquecidos dos brasileiros.

 

A experiência de passar um dia todo para ralar o milho, misturar, enrolar a massa na folha da espiga, cozinhar sem pressa junto com minha filha e outras crianças me fez pensar sobre como perdemos o contato com a nossa tradição gastronômica, no meu caso a casa da avó no interior paulista e o quanto não nos preocupamos em resgatar esses hábitos e passar para a nova geração.

 

A pamonha escapou do raio gourmetizador e por sorte não perdeu demais as suas características populares, já muito alteradas de suas origens, mas também não teve a chance de aparecer no atual mercado de gastronomices, em que muitos holofotes se voltam para a cozinha. Como o sociólogo Carlos Alberto Doria, no seu blog ebocalivre.blogspot.com.br, escreveu no post `O desafio da paçoca e da pamonha`:

 

“Interessante é como esses gestos, técnicas e produtos foram sendo paulatinamente deixados de lado, por serem considerados comidas “antigas” ou folclóricas (viajando dentro do conjunto da festa de São João, por exemplo), coisa de caipira.”

 

Nesse texto,Dória completa: “Muito provavelmente porque nas faculdades - que sustentam a ideologia da miscigenação, reproduzindo o senso comum da área - há, ainda, a ditadura das “técnicas clássicas” (leia, francesas) e um desdém muito grande por técnicas nativas que questionam o edifício todo da classificação ocidental da cozinha. Coisa que em países como o Peru, por exemplo, se faz gostosamente.

 

Onde você “encaixaria” uma paçoca? E uma pamonha? Esse estranhamento que incide no raciocínio cartesiano da cozinha francesa é insuportável para a estrutura de ensino estabelecida, pois abriria caminho para mais e mais contestações para as quais raramente os professores tem respostas. E depois falam em “modernizar” a cozinha brasileira… Bah!!!”

 

Na minha mesa a pamonha volta, volta doce, volta salgada. Na folha de bananeira, na palha ou no alumínio. Recentemente também desenterrei a panela de ferro e o fermento natural, pasta madre, levain, fermento de Jesus e seja lá o nome que for dado. Junto veio mais paciência, calma e uma saudade da cozinha da Dona Ondina, minha vó, em Bragança Paulista, em que para se comer feijão, precisava catar as pedras e sujeiras numa peneira, descansar uma noite, cozinhar, refogar e ferver tudo de novo, ou seja, só no outro dia.

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga
Please reload

Procurar por tags
Please reload

Arquivo